Saúde

Afinal, o que é e para que serve a gastroplastia endoscópica?

dezembro 24, 2018
Tempo de leitura 6 min

Algumas condições dificultam a perda de peso, por mais que se façam exercícios e dieta. Estar obeso ou com sobrepeso diminui a qualidade de vida e compromete as atividades diárias de pacientes nessa situação. Entretanto, existem técnicas médicas que podem ajudar a contornar esse problema. Uma delas é a gastroplastia endoscópica.

A obesidade tem crescido muito no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde: nos últimos 10 anos, ela aumentou 60%. Esse número coloca as autoridades em alerta, principalmente porque a obesidade é a porta de entrada para doenças como: alteração no colesterol, diabetes, pressão alta e alguns tipos de câncer. Então, em alguns casos, é preciso recorrer a procedimentos médicos para tratar a obesidade.

Ficou curioso para saber como a gastroplastia endoscópica pode ajudar você? Então, continue a leitura deste post: falaremos mais sobre para que essa técnica serve, em que casos é mais recomendada, quais são suas contraindicações, que riscos estão envolvidos no procedimento e outros aspectos. Confira!

O que é a gastroplastia endoscópica?

O procedimento é feito em ambiente cirúrgico com assistência de um anestesiologista. No mundo todo ele é bem avaliado, mas, no Brasil, a primeira intervenção ocorreu há pouco tempo. Mesmo assim, já faz sucesso: só no hospital Saha, em São Paulo, ele já corresponde a 15% das intervenções realizadas para tratar a obesidade.

A gastroplastia endoscópica difere da cirurgia tradicional por não precisar de uma abordagem laparoscópica. A tradicional, geralmente, faz uma intervenção no estômago — com um corte de grampeamento —, o que aumenta as chances de ocorrerem fístulas. O tempo de hospitalização é cerca de dois ou três dias a mais que a nova técnica e o de recuperação também é maior: requer de 10 a 15 dias.

Como é feito e para que serve o procedimento?

O método da gastroplastia endoscópica é feito com o auxílio de um aparelho chamado Apollo Oversitch. Esse dispositivo tem uma agulha e fios controlados pelo médico, e é conectado a um aparelho de endoscopia especial, conhecido como duplo canal.

Na execução do procedimento, primeiramente, é introduzido um aparelho flexível pela boca, assim como ocorre nos exames endoscópicos. Esse dispositivo oferece uma visão ampla do estômago e permite fazer suturas no órgão.

Depois, o estômago é costurado e cria-se um tubo gástrico. Dessa forma, o volume do órgão diminui e há restrição na quantidade de alimento consumida. O processo dura, em média, 60 minutos e a perda de peso situa-se entre 10 e 20% do peso inicial. Na cirurgia tradicional, a porcentagem de diminuição de peso é maior, podendo variar entre 40a 50% do peso inicial.

Em quais casos a técnica é indicada?

O procedimento é indicado para pacientes com idades entre 18 e 65 anos com obesidade leve, ou seja, que têm Índice de Massa Corporal (IMC) entre 30 e 35, bem como aqueles que não conseguem perder peso com atividades físicas e dietas. O ideal é que eles estejam cientes das limitações do método e saibam que é a cirurgia bariátrica — sugerida para obesidade em graus mais altos — que leva a perdas de peso maiores.

Para quem tem problemas cardíacos, renais ou pulmonares de alta gravidade, o ato cirúrgico não é recomendável. O método também tem contraindicação relativa para quem já foi submetido a cirurgias no estômago e no abdômen superior. Por isso, uma avaliação minuciosa é feita durante a consulta para identificar se há indicação ao processo ou não.

Quais são os riscos e as garantias do procedimento?

Assim como toda cirurgia, a gastroplastia endoscópica também tem riscos. Apesar de serem bem menores se comparados aos de procedimentos tradicionais — como a gastrectomia vertical —, eles ainda existem. Podem haver, por exemplo, sangramento e fístulas após o procedimento. Os riscos mais preocupantes são hemorragia, laceração gástrica, pancreatite e lesão de órgãos adjacentes ao estômago.

Além disso, é preciso entender que só a cirurgia não é suficiente para manter o peso estável no futuro. É necessária uma modificação nos hábitos alimentares e a inclusão de exercícios físicos na rotina para garantir a chegada ao objetivo final de perda e manutenção do peso ideal.

E mais: é essencial ter consciência de que os resultados dessa técnica a longo prazo ainda estão em observação pela comunidade médica. Por isso, vale a pena garantir os cuidados com a saúde para que o peso não volte a subir.

Como garantia de segurança, além da aprovação dos equipamentos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), recentemente, a técnica foi liberada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM). Para usá-la, entretanto, os profissionais envolvidos devem ser especialistas em endoscopia, respeitar os critérios de indicação e fazer o procedimento em um hospital.

A aprovação concedida pelo CRM indica que a gastroplastia endoscópica já foi validada por diferentes estudos clínicos. Isso evidencia, então, que o método já provou sua eficácia e sua segurança.

Como é o pós-operatório do procedimento?

Essa etapa costuma ser bastante tranquila e o paciente pode receber alta no dia em que fizer o procedimento ou, no mais tardar, no dia seguinte.

Geralmente, os analgésicos são ministrados em baixas dosagens, já que a dor não é um problema comumente relatado. Além disso, como se trata de uma intervenção leve sobre a anatomia do estômago, a recuperação costuma ser rápida. Em torno de três a cinco dias após a intervenção, já é possível voltar às atividades cotidianas.

E o pré-operatório?

Antes da gastroplastia endoscópica, é fundamental fazer alguns exames para avaliar como está o trato digestivo do paciente. Isso inclui endoscopia, ultrassom e avaliação laboratorial completa. É muito importante também que o paciente passe por protocolo de avaliação multidisciplinar antes de começar o procedimento.

Em outras palavras, a gastroplastia endoscópica é positiva para os casos mais leves de obesidade e já é utilizada em diversos países. Suas possibilidades de risco são baixas, desde que as orientações médicas sejam seguidas.

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