Bariátrica em adolescente: saiba mais sobre os aspectos psicológicos

A quantidade de adolescentes obesos (com idades entre 12 e 18 anos) só cresceu no país nos últimos anos, chegando a triplicar entre 1989 e 2009. Esses dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) preocupam, principalmente pelas implicações do excesso de peso.

Assim como nos adultos, a obesidade é um dos principais fatores de risco para doenças cardíacas, hipertensão arterial e diabetes tipo 2, entre tantos outros problemas de saúde. Além disso, o excesso de peso pode prejudicar o desenvolvimento físico, psicológico e social dos jovens, deixando marcas por toda a vida.

Como nem sempre os tratamentos comuns funcionam, o procedimento cirúrgico tem se tornado cada vez mais comum. Neste post, falaremos sobre os efeitos da bariátrica em adolescente. Continue a leitura e saiba mais!

Como tratar adolescentes obesos?

Um estudo realizado por pesquisadores de Harvard e apresentado na conferência ENDO 2018 defende a cirurgia bariátrica em adolescentes. De acordo com os médicos norte-americanos, o tratamento seria o mais indicado quando não for possível tratar a obesidade infantil de outras formas, com dietas alimentares e uma rotina de exercícios.

Os pesquisadores destacaram que, apesar da eficácia reconhecida da bariátrica, o procedimento ainda é pouco adotado nos mais jovens. Os cientistas analisaram dados de 8 sistemas de saúde diferentes e constataram que a cirurgia é realizada em apenas 0,7% dos casos, com uma amostragem de 2,5 milhões de pacientes entre 14 e 25 anos.

Para os médicos de Harvard, a eficácia da bariátrica justificaria a escolha do tratamento, diante do crescimento da taxa de adolescentes obesos. Afinal, é uma doença muito grave e que não tem respondido adequadamente aos tratamentos tradicionais. Eles destacaram, ainda, que os pacientes adolescentes demonstram uma melhora segura e duradoura após a intervenção, evitando outras comorbidades.

Por que fazer a cirurgia bariátrica em adolescentes?

O fato é que, nos últimos anos, as mudanças no padrão de vida, sobretudo na alimentação, provocou o aumento no consumo de açúcares, alimentos ultraprocessados e gorduras, em detrimento dos vegetais e alimentos naturais. Se somado ao aumento do sedentarismo, a obesidade em adolescentes torna-se um problema ainda mais complicado.

Obviamente, intervenções menos invasivas, como mudanças na rotina, adoção de uma alimentação saudável e a prática regular de exercícios físicos, devem ser priorizadas. A questão é que nem sempre esses tratamentos funcionam, principalmente quando estão associados a causas genéticas, psicológicas e emocionais.

Nesses casos, a demora na solução pode piorar o quadro, resultando em problemas como o “efeito sanfona” e traumas psicológicos decorrentes da baixa autoestima.

Assim, antes da realização da cirurgia bariátrica em adolescentes, o cirurgião deve contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais como nutricionistas, educadores físicos e outros médicos. Esse acompanhamento é necessário para que não sejam criadas expectativas irreais, além da avaliação das contraindicações.

De qualquer forma, a cirurgia é uma boa alternativa porque muitos dos tratamentos convencionais têm se mostrado ineficazes. Algumas publicações internacionais destacam, por exemplo, o aumento da incidência de diabetes tipo 2, doença coronariana, doença renal terminal, entre outros problemas decorrentes da obesidade — algo que evidencia o quão difícil pode ser tratá-la.

No contexto brasileiro, ainda que não representem um número significativo, a quantidade de bariátricas em adolescentes tem aumentado. Um fator que contribuiu para isso, no país, foi a redução da idade mínima pelo Ministério da Saúde para 16 anos. Pacientes mais novos, caso haja a indicação, devem ser analisados pela equipe multidisciplinar, que oferece todo o suporte técnico e psicológico à família e ao adolescente.

É importante ressaltar que, para obter os melhores resultados, os adolescentes devem compreender todas as implicações da cirurgia, além de se comprometerem a mudar o estilo de vida, que é determinante para o sucesso do tratamento no longo prazo.

Qual a eficácia do tratamento cirúrgico?

Normalmente, a bariátrica é indicada para adultos com índice de massa corporal (IMC) superior a 40, que representa obesidade grave, ou acima de 35 (obesidade moderada), quando outros tratamentos não se mostraram eficientes na redução de peso.

No entanto, é mais complexo avaliar a eficácia da bariátrica em adolescentes. Para isso, pesquisadores norte-americanos analisaram 242 pacientes obesos com idade média de 17 anos e com IMC em torno de 53% (obesidade grave). Seis meses depois da cirurgia, a maioria já havia perdido 30% do peso, apresentando redução significativa dos níveis de lipídeos e glicose no sangue, pressão arterial e melhora da função renal.

O estudo também mostrou uma mudança positiva na autoestima e no bem-estar psicológico desses adolescentes, um aspecto também bastante importante nesse contexto.

Quais os resultados da bariátrica em adolescentes?

Um estudo financiado pelo Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas dos Estados Unidos examinou 206 adolescentes em torno de 17 anos depois de 6 a 24 meses da bariátrica. Os pesquisadores constataram uma melhora importante da função cardiovascular, a redução de problemas como dores musculares e fadiga, com efeitos benéficos prolongados.

Enquanto isso, outro estudo realizado na Suécia avaliou os fatores emocionais em adolescentes obesos. Em uma amostra de 63 adolescentes acompanhados por 5 anos, o estado emocional se manteve estável, apesar de 27% ainda terem sintomas de depressão, 13% permanecerem com ansiedade e 16% terem pensamentos suicidas. Desse modo, a pesquisa concluiu que os adolescentes obesos precisam de um melhor acompanhamento em relação à saúde mental.

Outras publicações demonstram que não há influências negativas da cirurgia em jovens, sejam relativas ao desenvolvimento, crescimento ou de outra natureza. Caso o procedimento seja adiado, no entanto, podem surgir complicações graves, físicas e/ou psicológicas.

Como é o pós-cirúrgico e suas implicações?

Apesar de ser bastante eficaz, não se deve criar falsas expectativas em relação à bariátrica em adolescentes. É necessário que os pacientes tenham acesso a todas as informações sobre o procedimento, inclusive em relação ao pós-operatório.

Em casos raros, foram registradas complicações como infecções, úlceras marginais, obstrução intestinal, hérnias, entre outros problemas. Por isso, é fundamental seguir à risca as recomendações médicas, sobretudo as relativas ao estilo de vida.

Quando seguidas todas as indicações e com o acompanhamento psicológico adequado, o procedimento é relativamente seguro, tendo como benefício a perda significativa no peso corporal e a redução das comorbidades. Com a manutenção de um estilo de vida saudável posterior, a bariátrica em adolescentes tem o grande potencial de devolver a autoestima e a saúde a eles.

As informações sobre o procedimento foram úteis para você? Quer continuar aprendendo sobre o assunto? Então, entre em contato conosco e tire todas as suas dúvidas!

Dra. Juliana Loureiro Serra e Silva

Especialidade: Psicologia

CRP 0288/PI

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