Quais são as principais causas para queimação no estômago?

Você já se sentiu incomodado com queimação no estômago? O problema é mais comum do que se imagina. Só no Brasil, 15% da população apresenta o sintoma, no mínimo, uma vez na semana. Mais do que afetar a saúde, a queimação ainda pode prejudicar o desempenho de atividades cotidianas, os relacionamentos e até o simples prazer de saborear sua comida preferida.

A queimação no estômago tem diversas causas, e é sobre isso que vamos falar neste post. Se você quer saber mais sobre esse problema, por que ele acontece e quais são as doenças associadas, continue a leitura.

O que é a queimação no estômago?

O termo mais correto para denominar o conjunto de sintomas que promove desconforto na parte mais alta do trato gastrointestinal é dispepsia. Dentro desse grande grupo, existem subdivisões, sendo elas: dispepsia funcional, que não tem uma causa bem definida; infecção por Helicobacter pylori; doença do refluxo gastroesofágico e úlcera péptica.

A queimação no estômago (azia), na realidade, é um sintoma comum entre essas doenças. O mais normal é pensarmos que essa sensação se dá pelo aumento da acidez estomacal. Embora esse seja um mecanismo possível, a queimação também pode acontecer devido à destruição da camada de muco protetora do estômago por bactérias ou medicamentos, além de regurgitação desse ácido provocando refluxo.

Além dessa característica, as doenças do trato gastrointestinal alto também compartilham sintomas como a sensação rápida de saciedade, a sensação de “empanzinamento” após as alimentações, a eructação (arrotos), a distensão abdominal e o enjoo.

Quais são as principais causas desse problema?

A inflamação da mucosa gástrica ou sua destruição podem ter causas orgânicas, funcionais ou comportamentais. Confira as principais a seguir:

Bacteriana

A infecção pela bactéria Helicobacter pylori é extremamente comum, e estima-se que 50% da população mundial esteja afetada, mesmo que muitos portadores não tenham qualquer sintoma. A bactéria promove a inflamação (gastrite) e destruição da mucosa protetora do estômago, deixando as paredes do órgão suscetíveis a erosão ácida.

A contaminação pela bactéria se deve à ingestão de água ou alimentos contaminados, e seu tratamento deve ser feito com antibióticos. Geralmente, ao se fazer uma endoscopia digestiva alta, já é feito também o teste da urease, que indica a presença ou não desse microrganismo.

Química

A ingestão de alguns medicamentos e alimentos causa reações químicas no estômago que podem provocar e piorar a azia. Entre esses medicamentos, estão os anti-inflamatórios, que destroem a camada protetora do estômago e podem provocar úlceras.

Outra medicação associada à queimação no estômago é o ácido acetilsalicílico, também conhecido como aspirina. Se você faz o uso crônico dessa medicação, prefira as versões tamponadas.

Por fim, a ingestão de alimentos pouco saudáveis, como frituras, temperos em excesso, produtos ácidos e álcool, também causa uma desordem na produção de suco gástrico e acaba piorando o problema. Ingerir grandes porções de comida em uma única refeição também é prejudicial, uma vez que força o estômago a secretar ainda mais ácido clorídrico.

Emocional

Não é à toa que as alterações emocionais deixam a gente com “frio na barriga” ou até mesmo diarreia. O trato gastrointestinal é uma região rica em células nervosas. Com isso, qualquer alteração psicológica pode causar impactos diretos na motilidade gástrica e intestinal.

Quando estamos passando por um momento de muito estresse, ansiedade ou irritação, é comum sentir mais desconfortos nessa região, incluindo a queimação. Por isso, cuidar da saúde mental também é uma maneira de cuidar da saúde física: aposte em atividades físicas e relaxantes, como meditação e yoga, e em acompanhamento psicoterápico.

Doença do refluxo gastroesofágico

doença do refluxo gastroesofágico pode ser causada por uma deficiência da válvula que deveria impedir o retorno dos alimentos do estômago para o esôfago — por uma herniação também nessa região de transição ou por distensões mais frequentes do fundo do estômago.

Na maioria dos casos, medidas comportamentais, como elevar a cabeceira da cama, ajustar o horário das refeições e perder peso já são suficientes para erradicar o problema. Nos casos mais graves, uma cirurgia pode ser necessária.

Por que é importante procurar ajuda?

O ácido clorídrico secretado pelo estômago é extremamente potente. Isso significa que uma secreção anormal desse ácido ou uma desproteção interna do órgão podem gerar complicações graves, como sangramentos e perfurações. Assim, você deve estar atento aos sinais de alarme que indicam a necessidade de procurar um gastroenterologista:

  • vômitos persistentes e com sangue;
  • sangue nas fezes;
  • dor à deglutição;
  • perda de peso;
  • anemia.

Além disso, a alimentação tem uma função social, já que sentar-se à mesa proporciona prazer e convivência com os outros. Com a dor e o desconforto, os indivíduos passam a evitar a alimentação, o que piora o problema e prejudica a saúde de forma global, reduzindo drasticamente a qualidade de vida.

Outro aspecto relevante de procurar ajuda é a necessidade de se diferenciar a queimação no estômago da dor do infarto agudo do miocárdio. É isso mesmo: a dor típica do infarto é justamente em queimação ou em aperto e pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço e também para o estômago. Por isso, é muito importante um diagnóstico rápido e uma intervenção precoce.

Como funciona o tratamento da queimação no estômago?

A abordagem da queimação no estômago vai depender de existirem sinais de alarme ou não e de se há, de fato, uma lesão no trato gastrointestinal ou colonização por bactérias. Nesse último caso, é possível eliminar as bactérias com antibióticos. Já em outras situações, pode-se lançar mão de antiácidos e até mesmo de antidepressivos.

No entanto, os resultados duradouros e muito satisfatórios podem ser alcançados por meio de uma mudança de hábitos de vida. Procure manter uma dieta equilibrada, rica em alimentos naturais e fibras e com intervalos pequenos entre os lanches. Já os hábitos a seguir, por exemplo, devem ser evitados:

  • refeições volumosas e gordurosas antes de dormir;
  • pular refeições, ficar longos períodos sem se alimentar ou engolir sem mastigar;
  • condimentos, como pimenta e temperos prontos;
  • café em excesso, refrigerante, chás estimulantes e bebida junto das refeições.

Entretanto, vale a pena saber que grande parte das endoscopias não apresenta achados verdadeiramente orgânicos, isto é, por mais que os sintomas sejam reais, não é identificada nenhuma causa estrutural na imagem. Por isso, muitas vezes, é possível iniciar uma prova terapêutica medicamentosa sem ter que se expor a esse exame invasivo.

O gastroenterologista é o profissional certo para fazer a indicação tanto do exame quanto das medicações. O bicarbonato de sódio, substância tradicionalmente usada para neutralizar a azia, traz um alívio imediato, mas produz gases que distendem o abdômen e causam um efeito rebote pior que o inicial. Por isso, nunca se automedique. Combinado?

Como vimos, a queimação no estômago é uma condição que causa muito incômodo. Se você sente isso regularmente, procure evitar os alimentos que aumentam a produção de suco gástrico, controle o estresse, adote hábitos saudáveis de vida e o mais importante: procure atendimento especializado para diagnosticar a causa correta e iniciar o tratamento com segurança e o mais breve possível.

Você sofre desse ou de outros distúrbios da digestão? Comente aqui e conte-nos quais são suas dúvidas!

Dr. Daniel Dutra – CRM 3684/PI

Especialidade: Gastroenterologia


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