Retirada da vesícula: afinal, como funciona a colecistectomia?

Você já ouviu falar em pedra na vesícula? A doença, que atinge cerca de 10% da população mundial, acontece devido ao acúmulo de cristais de colesterol na vesícula biliar, causando cólicas e problemas digestivos e as vezes complicações graves. Uma das principais formas de tratamento é por meio da cirurgia de colecistectomia, uma das mais realizadas no Brasil.

Apesar de ser um problema de saúde comum, muitas pessoas não sabem é que a pedra na vesícula e menosprezam seus cuidados ou meios de prevenção. Caso não seja tratado, um caso simples de pedra na vesícula pode evoluir para colecistite aguda (processo inflamatório intenso com dor e, as vezes, infecção severa) ou até a migração do cálculo para a via biliar (ocasionado a icterícia – obstrução da via biliar com olhos amarelados e muitas repercussões importantes). Por isso, manter-se informado é muito importante.

Neste post, você vai saber como identificar problemas na vesícula, quando a cirurgia é indicada, como funciona esse procedimento e sua recuperação. Continue a leitura e esclareça suas dúvidas.

Quais são os sintomas de pedras na vesícula?

A presença de pedras é a principal razão para dores ou inflamações da vesícula biliar. A cólica biliar é a principal dor, que causa fortes incômodos no lado direito da barriga. Na maioria das vezes, esses dores seguem para as costas.

Geralmente, essa dor surge entre 30 minutos e uma hora depois da refeição. Após a digestão dos alimentos, o desconforto é minimizado, já que a vesícula não é mais estimulada para liberação da bile.

Além da cólica, outros sintomas são diarreia, perda de apetite, coloração amarelada na pele e nos olhos, enjoos e vômitos e febre. No entanto, não são todos os pacientes que conseguem ter esses sintomas.

A doença também pode ser identificada por meio de exames de rotina. Por isso, é importante manter contato com um profissional para que o problema seja identificado desde o início avaliar o estágio em que está a doença e planejar junto com paciente a melhor conduta. Mais frequente nas mulheres que nos homens (razão aproximada de 3:1). Tendo fator hereditário forte.

Quando a colecistectomia é indicada?

Para tratar a pedra na vesícula, é comum que os médicos indiquem a colecistectomia, cirurgia que retira a vesícula biliar e elimina a inflamação na região, para tratar ou até prevenir as complicações Mas você sabe em quais casos essa cirurgia é indicada?

A colecistectomia é indicada quando a região do abdômen fica inflamada devido à pedra na vesícula — que é diagnosticada geralmente após uma ultrassonografia — e, mesmo depois da aplicação do remédio, a inflamação não é eliminada totalmente. Isso deixa o paciente debilitado e causa um desconforto para fechar o canal da bile, o que atrapalha na realização das atividades diárias além de aumentar o risco gradativamente de desenvolver uma complicação.

Se houver uma infecção e/ou migração dos cálculos para a via da bile, o paciente pode ainda apresentar uma coloração amarelada nos olhos e na pele. Isso porque a bile acabou misturando-se ao sangue e causou essa alteração. Além disso, também ser responsável por escurecer a urina e clarear o tom das fezes.

Como a colecistectomia funciona?

A cirurgia de colecistectomia costuma ser rápida, com duração de, em média, 45 minutos, quando não há nenhuma complicação e ocorre de forma programada. Seu tempo de recuperação para voltar às atividades normais pode girar em torno de uma a duas semanas, e o período de repouso dura de um a dois dias. Há duas formas de realizar esse procedimento cirúrgico.

Uma é feita via videolaparoscopia, que é o tipo de procedimento mais frequente e tem o mesmo resultado final da cirurgia tradicional. Esse procedimento também é conhecido popularmente como cirurgia a laser e é feito por meio de três a quatro furos no abdômen, em que o médico introduz o material e uma pequena câmera para que o procedimento sofra menos manipulações e cortes. Isso a torna uma cirurgia de recuperação mais rápida (tempo de internação menor e retorno às atividades mais rápido), menos dolorosa (utilizando menos medicamentos), com cicatrizes menores e com menos complicações (p.ex: infecções na ferida, hérnias).

Já a cirurgia convencional — também conhecida como cirurgia aberta ou com corte — realiza um corte maior para que a vesícula seja retirada. Por isso, seu tempo de recuperação costuma ser mais demorado (maior tempo de internação), a cicatriz também se torna mais visível e algumas complicações são mais frequentes e quando ocorrem vêm com maior intensidade (p.ex:
infecções na ferida, hérnias).

Como é a recuperação da colecistectomia?

Ambas utilizam anestesia geral e costumam necessitar de um ou dois dias de internação. Porém, caso o seu abdômen esteja muito inchado — o que é possível de acontecer pelas complicações da pedra na vesícula, como a pancreatite e a colangite —, talvez seja preciso de um tempo maior de recuperação.

Se esse tempo for superior a três dias, os médicos podem realizar fisioterapia ainda no hospital para garantir uma boa movimentação do corpo e evitar problemas respiratórios. Mas, de modo geral, o tempo de recuperação da colecistectomia é de aproximadamente uma semana. Em pouco tempo, o paciente já pode voltar a realizar suas atividades diárias e, em alguns casos, a alta é oferecida no mesmo dia.

As dores do pós-operatório não costumam ser muitas, já que o procedimento mais utilizado é a videolaparoscopia, que realiza poucos cortes e manipulações. Ainda assim, os médicos envolvidos no processo podem recomendar uma dieta leve nos primeiros dias. Isso significa que você deverá fugir dos alimentos gordurosos na primeira semana após a cirurgia. Após esse período, normalmente, os pacientes já podem se alimentar sem grandes restrições.

Que tipos de cuidados devem ser tomados pelo paciente no pré-operatório?

Assim que o diagnóstico da pedra na vesícula é conhecido, o mais recomendado é que os pacientes não prolonguem o tempo para marcar a cirurgia. À medida que o tempo passa, a pedra pode se deslocar para o canal do fígado e causar coledocolitíase — uma doença que consiste na dilatação por obstrução, causada pelo cálculo que pode ocorrer em qualquer área da árvore biliar.

Para aquelas pessoas que tiveram parentes de primeiro grau que sofreram complicações de pedra na vesícula devem ficar ainda mais atentas e realizar uma ultrassonografia do abdômen anualmente. Principalmente para o caso das mulheres que já passaram por uma gravidez.

Agora que você já conhece os incômodos que a pedra na vesícula pode causar e como a cirurgia de colecistectomia pode ajudar, não demore em realizar exames para diagnosticar o problema. Caso seja necessário, entre em contato conosco e agende uma visita.

Dr. Hamilton Valério de Carvalho Fontes

Especialidade: Gastroenterologia / Cirurgia Digestiva

CRM 2366/PI

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.